Por Venício A. de Lima, 28/9/2006 

Um exemplo de como certos blogs são feitos é a nota sobre o livro Mídia: crise política e poder no Brasil  que apareceu no blog de Paulo Moreira Leite, do O Estado de S.Paulo. 

De uma obra que tem prefácio escrito por Alberto Dines e sete capítulos, o jornalista selecionou apenas um dos capítulos para, a partir de uma leitura parcial e preconceituosa, desqualificar o livro e acusá-lo de contribuir para “criar um ambiente de impunidade em nome da luta ideológica contra a imprensa burguesa”.  

Do único capítulo lido o jornalista omite a tese principal, que é o enquadramento da “presunção de culpa” dentro do qual a cobertura da crise política de 2005-2006 foi feita pela grande mídia; ignora que o conceito de “Escândalo Político Midiático”, desenvolvido pelo professor da Universidade de Cambridge, J. B. Thompson, não significa que a mídia inventa os escândalos midiáticos, mas que ela é condição para que eles existam; e distorce um dos exemplos utilizados ao afirmar que “o autor acha que [o título de matéria de O Globo] deveria mencionar apenas o PSDB”, enquanto o que se analisa é a violação da lógica temporal do fato no título da matéria.  

O jornalista blogueiro rotula ainda o livro – que não leu – de partidário, pois “sustenta ‘a linha justa’ da direção do partido [PT]”, insinuando que o autor é um militante petista – o que simplesmente não corresponde à verdade.  

Note-se, ademais, que as expressões “imprensa burguesa” e “luta ideológica” não são utilizadas no livro uma vez sequer. Em resumo: a nota do blog faz exatamente o que acusa injustamente o livro de fazer: luta ideológica. Não é sem razão que certos jornalistas blogueiros carecem de qualquer credibilidade.