A Folha de S. Paulo ficou enfurecida com o relato real que a novela Amor e Revolução, de Tiago Santiago, levou ao ar no dia 7 de abril. O depoimento que enfureceu o jornal paulista foi o de Rose Nogueira, que citou a Folha da Tarde ao descrever as crueldades que sofreu durante o período.
Rose foi presa em São Paulo em 1969 e solta em 1970. Ela era jornalista da Folha da Tarde, antecessor da Folha de São Paulo, também de propriedade da família Frias. Rose foi militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Em depoimento, disse o seguinte: “Ao buscar, agora, nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no DEOPS, incomunicável, ‘abandonei’ meu emprego de repórter. Escrito à mão, no alto: ABANDONO. Como é que eu poderia abandonar o emprego, mesmo que quisesse? Todos sabiam que eu estava lá, a alguns quarteirões, no prédio vermelho da praça General Osório”.
No domingo seguinte ao da exibição do depoimento, o colunista da Folha Fernando de Barros e Silva atacou a qualidade da novela. Escreveu que “aposta do SBT não vale como ficção nem como documento” e que “enredo confunde dados históricos e direção remete a dramalhão mexicano”. Como se fosse possível que um jornal que ajudou a implantar a ditadura, e que foi seu instrumento, pudesse gostar de alguma maneira de uma novela denunciando essa mesma ditadura. Só podia avaliá-la como ruim. A própria Folha reconheceu recentemente sua atuação pró-regime militar, durante a comemoração de seus 90 anos.
A novela Amor e Revolução incomodou tanto que os militares organizaram um abaixo-assinado, para que a trama fosse proibida de ir ao ar. O Ministério Público Federal arquivou o pedido, porque “não foram apresentados elementos mínimos para justificar a investigação”.
Leia a análise completa de Eduardo Guimarães publicada no Blog da Cidadania.