Mário Camargo –  A operação padrão dos controladores do vôo é muito justa. Trabalhar demais em condições precárias em uma função de alto risco não faz bem para ninguém. Afinal, um erro pode representar a morte de pessoas.

A greve revela ainda o descompasso entre o crescimento da aviação civil e a infra-estrutura do setor.

(…) Mas o episódio levanta questões importantes em relação à sociedade brasileira que merecem reflexão sobre a cobertura da mídia e a ira dos “camisados”.

Primeiramente é preciso reconhecer que os usuários do transporte aéreo não merecem ficar horas e horas à espera de um avião. São cidadãos e estão pagando por um serviço. É justo que reclamem, que busquem seus direitos.

(…) Os “camisados” que podem pagar passagens aéreas mostraram neste episódio como reagem quando estão numa situação que os desagrada. 

Pistas e aviões foram invadidos. Guichês depredados. Funcionários das empresas maltratados e até violentados fisicamente. As matérias dos telejornais mostraram o vocabulário (encoberto por um bip introduzido na edição das matérias) dos “camisados” quando estão com raiva. Impublicável. 

(…) A cobertura da mídia nos últimos dias foi um espetáculo à parte. Durante todos os telejornais o espaço dado ao episódio foi imenso. Com entradas ao vivo e o exagero de sempre. Não se ouviu dizer que os usuários eram baderneiros. Não se ouviu dizer que utilizaram de violência e que depredaram os patrimônios público e privado. Nenhuma reportagem reclamou da virulência. Exatamente ao contrário de quando a mídia fala de qualquer greve ou manifestação de trabalhadores sem-terra, sem-teto, sem-condução, sem-nada.

(Leia artigo de Mário Camargo em nossa página)