“Para Murdoch, o Velho Continente é um atraso de vida, visto que muitos ainda acreditam, mesmo em governos de centro-direita como o francês, em uma certa intervenção do Estado na economia (mesmo porque, se o Estado não acreditar, a massa tomará as ruas). Quando houve, ou, se houver, um referendo no Reino Unido sobre a adesão das Ilhas Britânicas ao euro, Murdoch certamente injetará ainda mais dinheiro em ONGs, em institutos ditos de “pensadores”, ou muitas vezes suspeitos think thanks. E, evidente, manifestará sua opinião contra o euro nos seus diários populares.
Uma das raízes da força de Mr. Murdoch reside no seguinte fato: ele contribuiu para a eleição do premier britânico Tony Blair três vezes. Fez isso por meios tendenciosos e com tiragens enormes, na casa dos milhões de exemplares. Isso sem contar suas redes de tevê. E, dizem, Murdoch se impôs através de financiamentos aqui e acolá, e não somente em ONGs… Mas esse é um mundo no qual o cidadão comum fica marginalizando e no qual os donos dio poder, como dizia o grande Raymundo Faoro, dão as cartas.”
Trecho do artigo ““O caixa 2 das ONGs”, em Carta Capital nº 408. P. 44.