Foi assim que reagiu a burguesia e seus aliados, os meios de comunicação, com a cena do boné do MST na cabeça do presidente: nem um palmo cabe a ti, trabalhador sem-terra, neste latifúndio! Gritaram em coro. Óbvio que eles gostariam que Lula usasse para sempre o boné dos banqueiros. Não sendo possível, admite-se que vez por outra o símbolo da Contag cubra a cabeça presidencial. Mas o do MST, ah!, isso não! “Temeridade”, alardeou o presidente nacional do PFL Jorge Bornhausen (SC). A Folha de São Paulo, aliás, perece que tem urticária a qualquer menção do MST. Na edição de quinta, dia 3, quatro páginas foram dedicadas ao assunto. Lembra-te sempre do cifrão da sigla criado por Josias de Souza ao falar da contribuição dos assentados ao Movimento. Vem da sucursal de Brasília, no mesmo dia, ao tratar do assunto, a seguinte pérola: ‘O governo não obteve, porém, um compromisso de trégua na violência que vem ocorrendo no campo nas últimas semanas”. Como se os trabalhadores fossem os responsáveis pela violência! Justiça seja feita. Na mesma Folha, no dia seguinte, Clóvis lembra que “qualquer estatística básica dos conflitos no campo vai mostrar que o maior número de vítimas é, de longe, de muito longe, composto por sem-terra, na guerra de Canudos como agora.”
E para quem tinha dúvidas sobre o que pensa do mundo a colunista Eliane Catanhêde, o seu texto na edição de sexta, dia 4, sob o título “O boné do Rosseto” é esclarecedor. Ela diz que Bornhausen fez cobranças justas, embora “excessivamente marcado pelo traço de oposição e pelo viés ideológico”. Mas a frase reveladora é outra: “Mais sério e mais preocupante do que o símbolo do boné é o fato de Lula ter nomeado Rosseto para a Reforma Agrária”. Precisa mais? Se precisa, quem responde é Antônio Canuto, jornalista e secretário nacional da Comissão Pastoral da Terra, ao comentar a reação da elite. “A indignação foi tão grande que o líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio, em poucas horas conseguiu as assinaturas necessárias para abrir uma CPI sobre o MST e,
(Por Claudia Santiago)