Há cerca de três meses, dentro de um trem, na Itália, conheci uma jovem migrante russa. Não me lembro de seu nome, mas sim de nossa conversa. Logo que soube que eu era brasileira, começou a falar sem parar sobre Brasília, a capital. As cariocas, “as mulheres mais bonitas do mundo”, na opinião da minha companheira de viagem. E dá-lhe Ana Paula Arósio, Antônio Fagundes, Tiago Lacerda e por aí vai. Conhecia-os todos e melhor do que eu. Perguntei a ela como tinha tantas informações sobre o Brasil. A explicação era muito simples: “eu gosto das novelas brasileiras. Vejo todas. Aqui na Itália nem tanto, mas na Rússia todo mundo assiste às novelas do Brasil. A gente nem fala mais a palavra datcha na Rússia, agora já se usa fazenda, como nas novelas do Brasil”.
Pelo jeito, o número de palavras da língua portuguesa a ser incorporado ao vocabulário russo, vai aumentar. No final do ano passado, a Globo ampliou o acordo que mantém desde 1995 com a emissora russa ORT. O número anual de horas de programação exportadas passou de 200, em 2003, para 1000 horas a partir de 2004. Na televisão russa passará a exibir duas novelas ao invés de uma no horário nobre e reprisa uma delas na faixa vespertina. Em fevereiro, começa a ser exibida e 13º novela da Globo no país: “O Clone“.