Por Gustavo Gindre para o Observatório de Imprensa, em 30.08.06
A Internet como nós conhecemos corre risco de morte. Em um futuro não muito distante é possível que nossos filhos chamem de “Internet” algo bem diferente daquilo que hoje conhecemos por este nome. E não se trata de uma afirmação alarmista, mas da simples análise de uma série de fatos que, quando somados, ajudam a constituir uma perspectiva sombria de futuro para a Internet.
Mas, antes de falarmos destas ameaças, é preciso deixar claro algumas premissas.
Em primeiro lugar, não é verdade que a Internet seja uma rede não regulada ou anárquica, como gostariam alguns. Os trabalhos do professor Lawrence Lessig, por exemplo, demonstram que a arquitetura da Internet (a interação de diferentes hardwares e softwares) determina o limite de possibilidades da Rede, definindo o que pode e (principalmente) o que não pode ser feito em seu interior. Como tais definições são de ordem “técnica”, elas passam ao largo do debate democrático, sendo definidas em fóruns igualmente “técnicos”. Na prática, funcionam como leis, que definem o comportamento no interior da Rede.