Era domingo. O dia estava agradável, sem muito calor, coisa atípica nos dezembros cariocas, e o samba corria solto na Central do Brasil. O Trem do Samba já se tornou uma tradição na cidade e ocorre todo 2 de dezembro para comemorar o dia nacional do ritmo nascido na cidade maravilhosa. A Central do Brasil é cenário cotidiano de gente indo e vindo apressada do trabalho, rostos cansados de trabalhadores e trabalhadoras brasileiras que sofrem na carne a dureza de uma superexploração que é irmã gêmea da sociedade de hiperconsumo. Trens lotados, passagens caras, distâncias a serem vencidas diariamente numa maratona infindável para garantir a sobrevivência.