Depois de ter publicado 76 mil relatos secretos sobre a guerra dos EUA contra o Afeganistão, o site global Wikileaks (“furos colaborativos”, em tradução livre) prepara-se para divulgar mais 15 mil documentos. Especula-se que viriam à luz não apenas atrocidades cometidas por soldados no campo de batalha, mas também relações diplomáticas perigosas que Washington manteve com governos aliados. Numa corrida contra o tempo para evitar o vazamento, o Pentágono e a direita norte-americana têm recorrido a ameaças, mistificações e intimidação.
O próprio secretário de Defesa, Robert Gates, admitiu implicitamente a autenticidade dos documentos que o Wikileaks tem em mãos. Ele afirmou que o material contém
enorme volume de informações sobre nossas táticas, técnicas e procedimentos”, e “que sua divulgação ameaça os soldados norte-americanos e aliados”. 
O esforço para impedir que as informações cheguem à opinião pública recebeu o apoio de uma ONG normalmente aliada a Washington: os Repórteres sem Fronteiras (RSF). Numa nota divulgada no dia 14 de agosto, a entidade tenta mobilizar contra o Wikileaks .
Revelar a identidade de centenas de pessoas que colaboraram com a coalizão [liderada pelos EUA] no Afeganistão é altamente perigoso. Não seria difícil para o Taleban e outros grupos armados usar tais documentos para compor uma lista de alvos em ataques mortais, diz o texto. Tal postura é previsível, já que diversas análises independentes têm apontado a forte relação dos RSF com a diplomacia norte-americana.
                                                       
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