[Por Frei Gilvander Moreira] O professor da Universidade Federal do Amazonas, Davi Said Aidar, de 62 anos, foi executado a tiros por dois homens encapuzados na Rodovia AM-010, zona rural de Manaus. Referência internacional em pesquisas sobre “agricultura familiar” e apicultura, o professor foi alvo de disparos que descartam a hipótese de latrocínio, uma vez que os assassinos fugiram sem levar nada. A região onde ocorreu o crime é um “tradicional palco de conflitos agrários”, marcado por casos de tomadas de terras, grilagem e pistolagem.

Pesquisadores e populares levantam a hipótese de que a execução esteja ligada ao avanço do latifúndio agroexportador, que atua como uma “bomba atômica” contra pequenos produtores. O estado do Amazonas segue o caminho de violência de Rondônia e Pará, onde o aparato repressivo do velho Estado assiste ao crescimento das agressões contra camponeses pobres, indígenas e quilombolas. O crime ocorre em uma área permeada por violentas reintegrações de posse e pela ação de bandos armados a serviço das classes dominantes.

Davi Aidar dedicou sua vida às abelhas nativas e era “muito querido pela comunidade”, travando relações com comunidades tradicionais locais. Além de formar centenas de cientistas na UFAM, seu trabalho era referência nacional para apicultores de todo o país. O assassinato do professor, descrito como um humanista, é mais um capítulo da violência no campo brasileiro, onde a grande burguesia e os interesses do agronegócio avançam sobre a vida de quem produz e preserva a natureza na Amazônia.