Estiveram em Moçambique, no final de agosto, representantes da União Provincial de Camponeses de Tete, vinculada à União Nacional dos Camponeses de Moçambique (Unac), e do MST. Eles constataram o impacto na vida dos camponeses do projeto de exploração mineral da Vale no Distrito de Moatize, Província de Tete, centro de Moçambique.
O plano da Vale de atuar em lugares habitados e agricultáveis vai obrigar um elevado número de famílias a abandonar suas terras e casas. A Companhia está presente no país desde novembro de 2004. A mina de Moatize, considerada uma das maiores reservas carboníferas do mundo, deverá produzir 11 milhões de toneladas de carvão durante os próximos 35 anos.
Uma das duas comunidades atingidas pela concessão de uso e exploração possui 1.125 famílias. Elas reivindicam o direito de seus mortos permanecerem no mesmo local, pois a empresa pretende destruir os cemitérios existentes para explorar o carvão que está no subsolo. A remoção dos corpos enterrados para outros locais é considerada uma falta de respeito e imposição.
A empresa tem um plano de reassentamento que oferece casas às famílias, mas não indeniza a perda dos bens das populações. Como a saída é obrigatória e forçada, o único jeito agora é reivindicar os direitos e pedir indenização.
Uma das heranças que os camponeses vão perder é a fruta silvestre, tradicionalmente conhecida como Massanika. Essa fruta é produzida uma vez por ano e depois de seca pode ser armazenada para o consumo nos momentos de estiagem. É considerada símbolo de resistência, pois em tempos de guerra matava a fome.
[Fonte: Brasil de Fato]