[Por Osvaldo da Costa] Não se trata de cobertura dos fatos, e sim de um ataque à consciência dos telespectadores. No dia 19 de abril, o programa Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma suposta reportagem sobre um conflito ocorrido numa fazenda do Pará. Estariam envolvidos no caso “seguranças” (o termo procura revestir de legalidade a ação de jagunços) da fazenda do banqueiro Daniel Dantas e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).  

Só pude descobrir que se tratava de propriedade do banqueiro processado por inúmeros crimes e protegido por Gilmar Mendes, do STF, após ter vasculhado algumas páginas na internet em busca de meu direito de escutar o outro lado da notícia – a versão dos fatos pelos sem terra. Na reportagem eles aparecem como invasores, baderneiros, seqüestradores, assassinos em potencial.  

Sem ter acesso às causas do conflito, e a nenhum dos dois lados envolvidos, o telespectador se vê impelido a acompanhar o julgamento que o narrador da reportagem e a câmera nos sugere.  

A ilusão de verdade deve ser desmontada, a suposta neutralidade deve ser desmascarada, caso a caso, na medida de nossas forças. É preciso levantar alguns questionamentos, por exemplo: Por que a Globo protege Dantas? Por que o MST não foi escutado na reportagem? Só aparecem os jagunços da fazenda atirando, então ocorreu um tiroteio mesmo?

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