[Por Sheila Jacob-NPC] O livro didático Por uma vida melhor, destinado a alunos do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), continua dando o que falar. A Revista Veja publicou recentemente uma entrevista com o gramático Evanildo Bechara sobre o tema.
Como era de se esperar, a publicação fez coro à cobertura preconceituosa e desinformada de grande parte da mídia em relação ao livro. O especialista condena os professores que, segundo ele, consideram como preconceito linguístico corrigir os alunos. “Alguns de meus colegas subvertem a lógica em nome de uma doutrina que só serve para tirar de crianças e jovens a chance de ascenderem socialmente”, diz Bechara.
Acontece que o livro propõe exatamente o contrário. Como explica o linguista de renome Marcos Bagno, um dos defensores do livro citados por Bechara de maneira negativa, o material não ensina o aluno a falar errado; apenas mostra que existe a variedade popular para, depois, dedicar maior parte do tempo ao ensino das formas padronizadas de falar e escrever. “Ninguém precisa ensinar ninguém de acordo com a norma popular, porque todo mundo já fala assim. Seria uma grande perda de tempo a escola ensinar o que as pessoas já sabem”, diz o professor em entrevista ao programa Comunicação em Debate, da TV Comunitária de Brasília.
Como Bagno lembra, o material explica que, em determinados contextos, existe um problema social no uso da variedade não padrão, e a pessoa que não souber a norma culta pode ser levada a sofrer certo tipo de discriminação. A entrevista completa veiculada pela TV Comunitária de Brasília pode ser vista nos links abaixo: http://www.youtube.com/watch?v=kZ6dhChLUDY
http://www.youtube.com/watch?v=nJdhjGnnXwY