[Por Sheila Jacob] De
“A ausência da imagem e da voz de um Brasil plural, multicultural e multi-étnico faz com que a maioria das mulheres brasileiras não se reconheça na TV. (…) É constante na grade de programação a espetacularização e interpretação da ‘realidade’ segundo uma visão única e conservadora, o modelo inalcançável e impositivo de beleza”, diz a justificativa do evento.
Entre as diversas mídias, a televisão foi escolhida como principal foco de análise “por ser o principal meio de comunicação e entretenimento e veiculação de valores em nossa sociedade”.
Para Valmíria Guida, do Coletivo de Mulheres Ana Montenegro, além das mesas e oficinas, o encontro foi bastante enriquecedor pela articulação e troca de experiências entre as mulheres de todo o país. Ela contou que a idéia do encontro é montar uma rede de feministas para cobrar o controle social da imagem da mulher na mídia. “O objetivo é criar uma grande rede para interferir no legislativo, executivo e judiciário, pressionando os poderes para fiscalizar o uso da imagem feminina”, disse.
“As protagonistas das novelas são sempre frágeis, indefesas, apaixonadas, submissas, e muito bonitas, de acordo com o padrão passado pela mídia. E é uma beleza impossível para a maioria das mulheres, porque depende de bens materiais que são inacessíveis a muitas. É difícil a mulher deixar de ser objeto sexual em um sistema mercantilista, que transforma tudo em mercadoria”, afirma Valmíria.