Ivana Bentes, pesquisadora da UFRJ, analisa a contradição do discurso das emissoras de TV
sobre a periferia: ou pobre é violento ou é o pacífico criativo.
A periferia está na moda? A julgar pela produção audiovisual, mais do que nunca. Somente a maior emissora do país, a TV Globo, dedicou quatro produções ao cotidiano dos moradores dos grotões das metrópoles nos últimos dois anos: a programa Cidade dos Homens, a série de Regina
Cazé para o Fantástico, Central da Periferia e, para o mesmo programa, a exibição do documentário Falcão, Os Meninos do Tráfico. Mais recentemente, houve a exibição do filme Antônia, em forma de minissérie.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Ivana Bentes, professora de Comunicação da UFRJ, analisa o discurso “esquizofrênico” das emissoras de TV: se nos programas jornalísticos o jovem negro continua marginalizado, como o criminoso representado por uma sombra na parede
e uma voz metálica, esse mesmo jovem é visto como “o favelado legal”, na dramaturgia.
O cinema também não fica de fora do que Ivana chama de “cosmética da fome”, ou seja, a glamourização da pobreza e da violência das periferias. Sobre esse tema, a professora dedica um dos ensaios de seu novo projeto, uma pesquisa sobre as periferias – ainda não finalizada – em que busca a análise das imagens produzidas nas últimas décadas sobre o tema, analisando as mudanças tecnológicas e do imaginário da sociedade, nesse processo.
[Por Dafne Melo (Brasil de Fato), em 02.02.2007]