No primeiro turno, apoiei o candidato Plínio Sampaio, exemplo ético da nobreza humana que assumiu a responsabilidade de lutar alto e bom som contra o recalcamento dos ideais socialistas entre nós.

 Mas agora, no segundo turno, discordo que não haja diferenças entre os dois candidatos e nem acho que eles sejam farinha do mesmo saco. Ao contrário, penso que Dilma e Serra representam  dois projetos de governo, dois blocos de classes, duas concepções de mundo e, mais ainda, dois mundos de sentimentos.  

Não pretendo aprofundar estas diferenças e nem preciso. Basta citar o que disseram os dois candidatos sobre os movimentos sociais, as lutas populares.

Dilma Rousseff afirmou: “Muitas vezes, não concordamos com as reivindicações, mas não tememos os movimentos sociais e JAMAIS vamos deixar de escutá-los”. Para ela, os movimentos sociais lutam pelo reconhecimento, realização ou ampliação de direitos coletivos e têm presença reconhecida na sociedade política. Ela sabe que a luta política é o cerne mesmo da democracia.

 Já o candidato José Serra preferiu esclarecer que: “Movimento social é uma coisa, movimento político é outra. Esses movimentos de invasão que estamos vendo no campo é político”.Declaração assustadora porque afirma a mesma distinção que ouvimos tantas e tantas vezes nos piores anos de chumbo da ditadura militar! Filha legítima da concepção oligárquica e escravocrata brasileira, essa falsa separação foi retomada pela ditadura para desqualificar a luta política, transformada em questão de polícia, de prisão, de exílio e de tortura.

 Dois projetos, dois blocos de classes, duas concepções de mundo, dois mundos de sentimentos.

 Como disse um grande jornalista, se vencer, Serra não terá do que se orgulhar com a vitória. Mas Dilma  terá muito do que se orgulhar pois será a primeira mulher presidente dos brasileiros, de todos os brasileiros, de todos nós, que lutamos pela democracia, por mais democracia, pela democracia da maioria.