Uma bela obra do documentário brasileiro foi lançada no dia 23 de julho, no Rio de Janeiro. Trata-se do filme “Expedito em busca de outros nortes”, de Aída Marques e Beto Novaes. Nele, com o auxílio fundamental de pesquisa de Adônia Prado, Rosilene Alvim e Ricardo Rezende, está a história dos milhares de brasileiros que acreditaram nas promessas de reforma agrária da ditadura militar e correram para a o norte do país em busca de seu pedaço de chão.
A saga de Rio Maria, no Sul do Pará, e a organização dos trabalhadores rurais brasileiros na década de 80 compõem o cenário onde se desenvolve a história de Expedito Ribeiro de Souza, o lavrador poeta, sucessor de João Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Os que virem o filme nunca mais terão dúvidas sobre quem são os violentos e quem são as vítimas na luta pela reforma agrária. Os trabalhadores só querem um pedaço de terra par plantar e sustentar suas famílias. E, por lutar por esse querer, são assassinados um após o outro. Mas o filme não é triste. Porque nos conta que a morte de Expedito teve a função de uma semente no coração de sua família que, até hoje, continua esta luta.
Em Rio Maria tombou João Canuto, morto com 18 tiros, em 18/12/1985. Cinco anos depois, em abril de 1990, foram seqüestrados três filhos de João Canuto: José e Paulo foram assassinados e Orlando ficou gravemente ferido. Outros dirigentes do sindicato também foram feridos ou assassinados. De 1980 a 1993, no sul e sudeste do Pará foram assassinados mais de 400 trabalhadores rurais por uma questão de terra.
Este documentário, sem dúvida, está entre os melhores e mais didáticos já produzidos sobre os sem-terra e a sua luta pela reforma agrária.