[Por Achille Lollo] Vivendo um clima político que faz lembrar os vexames do Administrador delegado Vittorio Valletta, na década de 1950, os operários da FIAT de Turim e de Pomigliano voltaram a ser as vítimas de um projeto industrial que, para dar certo, exige: 1) Destruir a representatividade sindical da FIOM e da CGIL ; 2) Flexibilizar todo o ciclo de trabalho em 100%; 3) Reverter e minimizar os direitos trabalhistas adquiridos com o Estatuto dos Trabalhadores; 4) Recuperar financeiramente o ônus da baixa competitividade qualitativa com o rebaixamento do custo de toda a força de trabalho empregada; 5) Impor a chantagem econômica para quebrar a autonomia política da classe operaria; 6) Finalizar o processo de domesticação dos sindicatos e dos políticos da oposição de centro-esquerda.
Durante quase um mês os italianos tiveram que conviver com a chantagem emocional do administrador geral da FIAT, Sergio Marchionne, que afirmava que “a FIAT, após o acordo com a estadunidense Chrysler, se tornou uma multinacional inserida na economia global, que estava perdendo dinheiro na Itália”. Marchionne sublinhava que “para ter um retorno financeiro capaz de satisfazer os investidores, devemos modificar as relações capital- trabalho que existem na FIAT e assim explorar devidamente toda a capacidade produtiva das linhas de montagem...”. O governo de direita apoiava em bloco as propostas de Marchionne.