A edição de 9 de março da revista Carta Capital traz um artigo do jornalista Antonio Luiz Costa sobre o protagonismo da emissora de televisão Al-Jazira nas revoltas recentes do mundo árabe. Confira um trecho:

“Se alguma instituição de fato antecipou os acontecimentos e merece parte do crédito pela revolta é a rede Al-Jazira, do Catar, com suas coberturas agressivas e independentes de problemas internos e externos dos países árabes. Ela foi a primeira expressão global autônoma de opinião da sociedade civil árabe, desde o momento em que surgiu para o mundo com suas coberturas alternativas das invasões estadunidenses do Afeganistão e do Iraque. Tão incisivas que nos EUA houve quem quisesse tirá-la do ar como combatente inimigo se não “ajustasse seu comportamento”, conforme escreveu Frank Gaffney no site da Fox News, em setembro de 2003.

Os EUA criaram em 2004 uma rede rival em árabe, a Al-Hurra, na qual investiram 700 milhões de dólares. Com estúdios nos EUA e uma agenda neoliberal, mostrou-se um completo fiasco em termos de conquistar corações e mentes árabes, embora tenha um orçamento de 90 milhões de dólares anuais (o da Al-Jazira é de 140 milhões). Segundo pesquisa Zogby de maio de 2009, na Jordânia, Líbano, Marrocos, Arábia Saudita, Egito e União dos Emirados Árabes, todos tidos como aliados dos estadunidenses, a audiência média da Al-Hurra não passava do taco (0,5%). A Al-Jazira conseguia 55% do público, suas concorrentes sauditas Al-Arabiya e MBC, mais conservadoras, respectivamente 10% e 7%, e a xiita radical Al-Manar (do Hezzbollah), 2%”.