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[Por Helder Castro – de Lisboa] A revolução que pôs fim à ditadura em Portugal, que adotou o cravo como símbolo, e que deu decisivo impulso à independência das então colônias, completa hoje 37 anos. O 25 de Abril de 1974 é evocado nesta segunda-feira um pouco por todo o país. A crise econômica, financeira e política que Portugal atravessa dá à data uma nova importância.

Os sinais na rádio, o cravo e as marcas políticas

No dia 24 de abril de 1974, um grupo de militares instalou secretamente um posto de comando do MFA no quartel da Pontinha, em Lisboa.

O sinal secreto para o avanço do movimento foi dado às 22h55, com a transmissão radiofónica da música “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho. Um segundo sinal, também por via da rádio, chegaria às 0h20, com a música “Grândola, Vila Morena“, de José Afonso.

O movimento avançou durante a madrugada para o controlo de vários pontos estratégicos no país, como o Aeroporto de Pedras Rubras, no Porto, as instalações da televisão RTP no Porto e o Terreiro do Paço, em Lisboa.

Foi do Terreiro do Paço que as forças comandadas pelo capitão Salgueiro Maia seguiram para o Quartel do Carmo, onde se tinha refugiado o então chefe do governo, Marcello Caetano, que ao final do dia se rendeu, tendo obtido asilo no Brasil, onde vigorava o regime militar.

O cravo vermelho, que um soldado durante o 25 de Abril de 1974 colocou no cano da sua espingarda, tornou-se a imagem de um dia que mudou Portugal.