
No dia 13 de julho de 2006 foi inaugurada, no Salão Nobre da Caixa Econômica Federal, na Praça da Sé, em São Paulo, a exposição fotográfica “OS BARRANQUEIROS DO VELHO CHICO”,do repórter fotográfico Jesus Carlos.
Por Anselmo Massad
Em tempos de discussão sobre transposição do rio São Francisco, há um elemento que permanece por vezes escondido: o humano. Em suas barrancas encontram-se pessoas que formam um quadro variado de atividades, cujo ritmo é determinado pelo rio.
É ao barranqueiro, como se denominam homens e mulheres ribeirinhos, que o repórter fotográfico Jesus Carlos volta seu olhar nesta exposição. Coletadas em três expedições pelo rio que nasce no sul de Minas Gerais e deságua entre Alagoas e Sergipe, cortando outros três estados, as imagens mostram o cotidiano de quem vive pelas beiradas do Velho Chico.
Um retrato do que é o dia-a-dia do rio de hoje. Rio das lavadeiras e pescadores. Dos agricultores de cheia, de barqueiros e de comerciantes. De gente que engorda e vende gado ali, na margem mesmo. De quem tira do barro das barrancas para produzir artesanato. Dos que rezam, e dos que esculpem carrancas na madeira, figuras diabólicas que, em outros tempos, serviam para espantar os espíritos e entidades do rio.
O que une o mineiro de Pirapora, o baiano de Juazeiro, o alagoano de Penedo e todos os outros retratados nestas fotos é o rio, fio condutor da exposição. Gente de histórias e costumes diferentes, mas com a mesma relação de dependência das águas e do que vem delas. Trabalho, alimento, cultura, vida.
É um pouco do que se pode encontrar pelos 2.700 quilômetros de um dos principais rios do Brasil, tão extenso quanto diverso. Diversidade captada pelas lentes do fotojornalista, cujo resultado pode ajudar a descobrir quem é esse barranqueiro do São Francisco.
Anselmo Massad é jornalista e acompanhou o fotógrafo Jesus Carlos em sua primeira expedição.