O Massacre da Candelária foi lembrado no Rio de Janeiro com uma Semana em Defesa da Vida. No domingo, dia 23, foi apresentado o documentário Expedito em Busca de Outros Nortes. Foi atividade especial do projeto Domingo é Dia de Cinema que, desta vez reuniu um público diferente dos tradicionais estudantes de pré-vestibulares comunitárias. Estavam na sessão militantes de direitos humanos, mães de vítimas da violência policial, mães e pais de crianças e jovens recolhidos no sistema penitenciário, artistas e intelectuais. A coordenação do debate ficou por conta da participação forte, e sempre solidária, do ator Marcos Winter. No dia 28, uma Caminhada em Defesa da Vida sai da Praça Pio X, perto da Candelária, às 8h30, em direção à Cinelândia. 

Lembra-te. Não esqueças!

No início da madrugada do dia 23 de Julho de 1993, oito adolescentes, moradores de rua, foram barbaramente assassinados por policiais na chacina que ficou conhecida como o massacre da Candelária. Ganhou este nome por ter acontecido nas imediações da Igreja da Candelária, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Outras tantas crianças ficaram feridas. Cerca de 70 dormiam na área no dia do crime. 

Morreram Anderson O. Pereira, “Gambazinho”, Leandro S. Conceição; Marcelo C. Jesus, Marcos A. Alves Silva, Paulo J. Silva, Paulo R. Oliveira e Valdevino M. de Almeida. 

Sandro Nascimento, um dos sobreviventes, foi assassinado pela Polícia, sete anos depois, no final do seqüestro do ônibus 174. Quando criança, Sandro viu a mãe ser assassinada a facadas. Elisabeth Cristina de Oliveira Maia morreu baleada, na porta de sua casa. Wagner dos Santos, testemunha oficial da Chacina, mora na Suíça. Saiu do país para sério tratamento médico e para se defender das diversas ameaças de morte. Dos 63 jovens adolescentes que vivam em volta da Igreja da Candelária, em 1993, 40 já estão mortos.