A Contexto tem entre suas ricas publicações uma “Coleção Comunicação”. São 16 livros que tratam de vários aspectos do tema. O último, lançado neste mês de julho, é “Jornalismo Popular’. A obra aborda um segmento de jornais que busca se aproximar de camadas mais amplas da população e, por isso, tem como diferencial uma entonação mais popular. Dos oito jornais de maior circulação no país em 2005, três eram destinados a públicos mais populares: Extra (RJ), O Dia (RJ) e Diário Gaúcho (RS).
O mercado de jornais populares, mudou e quem só conhece o chavão sensacionalista para tratar do tema precisa se atualizar. Os jornais destinados às classes B,C e D integram um novo mercado a ser analisado, caracterizado por um público que não quer apenas histórias incríveis e inverossímeis, mas compra jornais em busca também de prestação de serviços e entretenimento. As mídias usam como estratégias de sedução do leitor a cobertura da inoperância do poder público, da vida das celebridades e o cotidiano das pessoas comuns. Os assuntos que interessam são prioritariamente os que mexem de modo imediato com a vida da população. Na pauta: saúde, previdência social, segurança pública, mercado de trabalho, futebol e televisão. A autora discute ainda a relação “linguagem chula” vs “linguagem simples”, “didatismo” e “credibilidade” e mostra como é possível fazer jornalismo popular de qualidade.
Enfim, o livro coloca uma série de questões para quem quer fazer um jornalismo, seja ele falado ou escrito, que atinja o povo. Que atinja aqueles que geralmente não são atingidos pela nossa comunicação de esquerda.