[Por Maria Lúcia Fatorelli] Em 2007, o presidente do Equador Rafael Correa criou a Comissão para a Auditoria Integral do Crédito Público (CAIC). A atribuição foi a realização da auditoria oficial da dívida pública do país – tanto interna quanto externa. O grupo também analisou os seus impactos sociais, ambientais e econômicos. Essa atitude significou uma vitória dos movimentos sociais que há décadas lutam pela revisão da dívida, que consome a maior parcela do orçamento. O relatório final identificou inúmeras irregularidades no processo de endividamento público equatoriano, tudo devidamente apoiado em documentos e provas.
Depois da auditoria, o presidente anunciou que pagaria somente 25 a 30% do valor dos títulos da dívida externa comercial com a banca privada. Devido às provas de ilegalidade da dívida, 95% dos credores tiveram que aceitar. A atitude soberana do Equador abriu caminho para as auditorias na América Latina.
Na reunião da ALBA realizada em Novembro de 2008, o presidente Correa apresentou o tema e, como consequência, Bolívia e Venezuela anunciaram também a intenção de realizar a auditoria das suas dívidas públicas. A iniciativa pode também servir de exemplo para o Brasil.
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