A coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou no início desta semana uma Nota Pública sobre os assassinatos recentes ocorridos no campo. No texto, intitulado O Estado não pode lavar as mãos diante de mortes anunciadas, a CPT repudia a informação de que a Secretaria de Segurança do Pará desconhecia as ameaças de morte sofridas pelos trabalhadores José Claudio da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva. Eles foram mortos a mando de madeireiros no dia 24 de maio, em Nova Ipixuna (PA). No dia 28 foi encontrado o corpo de Erenilto Pereira dos Santos, que seria uma das testemunhas do assassinato do casal. Além deles, o agricultor Adelino Ramos (Dinho) foi assassinado em Vista Alegre do Abunã, distrito de Porto Velho (RO). Adelino era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, ocorrido em 1995 quando policiais e jagunços executaram camponeses sem-terra que se mobilizavam para ocupar uma fazenda.

Segundo a CPT, esses casos de violência no campo podem se intitular Crônicas de mortes anunciadas. De 2000 a 2011, a organização tem registrado em seu banco de dados ameaças de morte no campo contra 1.855 pessoas. Do total, 42 já foram assassinadas e outras 30 sofreram tentativas de assassinato.