Retomada e novos caminhos: a comunicação nas lutas populares

O curso de Comunicação Popular do NPC convida seus atuais e ex- alunos e alunas para uma tarde de conversa sobre as necessidade e possibilidades de uma ação conjunta de comunicadores nas redes e nas ruas. O objetivo é fortalecer cada coletivo de comunicação tocado por pessoas do grupo do NPC e, consequentemente, os movimentos sociais de bairro, ocupações, camelôs, mães. É um jeito de colocarmos, conjuntamente, a serviço do povo as coisas que aprendemos durante os cursos.  

Atenção! Vocês não são só ex-alunos e alunas do NPC. Como vimos no encontro do dia 30, são pessoas diretamente ligadas às lutas sociais na nossa cidade. Vamos conversar e preparar o ato do dia 24 de julho, dia da Comunicação Popular, na Cinelândia, no Rio de Janeiro. 

Como não poderia deixar de ser, vai ter música e aquela merenda especial que aprendemos com os camponeses. 

Quem participa? Rede de comunicadores do NPC

Quando? Dia 20 de junho. Das 14h às 17h.

Onde? No meio da muvuca, na Lapa, no bar Partisan, onde há muita coisa para fazer depois da conversa. 

O que? Roda de Conversa sobre experiências locais, troca de ideias sobre como agir em rede e plano de ação. Tipo: quem faz o quê? Como? Quando? Onde? Por que?

Por que isso agora?

No último sábado, 30 de maio, mais de 50 comunicadores e comunicadoras populares de diversas partes do Rio de Janeiro estiveram reunidos no Quilombo da Gamboa, na zona portuária do Rio de Janeiro. O encontro foi promovido pelo Núcleo Piratininga de Comunicação e mobilizou gente que, em algum momento dos últimos 22 anos, participou do  Curso de Comunicação Popular do Núcleo Piratininga de Comunicação, criado em 2004. Pensado como um momento de encontro e confraternização das turmas, tornou-se uma oportunidade de pensar coletivamente sobre questões e desafios às nossas lutas e à nossa comunicação. 

Para abrir os caminhos, Claudia Santiago, coordenadora do NPC e criadora do curso, fez um resgate da sua trajetória como jornalista popular e contou como esta lhe ensinou a importância da comunicação popular para a organização popular. Na sua fala, lançou a provocação: faz sentido pensar em uma rede de comunicação popular no contexto em que vivemos hoje? 

Em seguida, diversos comunicadores com atuação territorial, em movimentos sociais ou coletivos compartilharam suas experiências e opinaram sobre o sentido e a importância da criação da rede. 

Se tivéssemos que reduzir tudo a uma ideia geral, diríamos que todos concordaram que a existência de uma rede de comunicação popular é importante e pode fortalecer as lutas que enfrentamos cotidianamente. Para isso, no entanto, é importante que seja uma organização pautada pela coletividade, solidariedade e desejo de ação para mudança social, princípios que pautam a prática do Núcleo Piratininga de Comunicação.  

Trata-se de uma iniciativa movida pela paixão e amor ao povo que precisa ser muito bem sistematizada para atingir objetivos concretos. Alguém sugeriu o nome Teia Gamboa de Comunicação Popular. O nome é justíssimo. Tá na roda.

Essa não é a primeira Teia

A Teia Gamboa de Comunicação é o desdobramento de um processo iniciado por nós do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e diferentes iniciativas de comunicação popular e sindical: a Teia da Comunicação Popular do Brasil, lançada no ano de 2018, na Bahia, durante o Fórum Social Mundial, com a participação 

Desde sua criação, a Teia sempre teve como objetivo ser um ponto de encontro e articulação entre experiências diversas, incluindo pequenos grupos, sindicatos, coletivos populares, mídias independentes, movimentos sociais e iniciativas territoriais. Queríamos, aos poucos e através da organização e divulgação de conteúdos produzidos por esses comunicadores, tecer uma rede de solidariedade que, por meio da comunicação, desse visibilidade às nossas lutas e nos fortalecesse coletivamente para a construção de uma nova sociedade. 

Mas quem primeiro sonhou com essa nossa Teia nunca quis que ela fosse apenas um espaço organizativo. Queríamos ser um emaranhado de fios que se entrelaçam, conectam histórias, lutas e experiências de trabalhadores e trabalhadoras em todo o país.

Embora o avanço da internet tenha, indiscutivelmente, aberto inúmeras novas possibilidades, sua lógica de funcionamento reproduz as estruturas de concentração e dominação dos meios de comunicação tradicionais e das grandes empresas, as big techs. Muitas lutas, produções e experiências de construção de vida e resistência seguem sendo invisibilizadas e silenciadas. E, consequentemente, enfraquecidas. 

Retomar a Teia significa reativar vínculos, atualizar agendas e reinventar formas de articulação à altura dos desafios atuais que incluem o enorme crescimento na sociedade do conservadorismo, violência e ódio contra qualquer amor de humanidade. E é exatamente esse amor de humanidade que nos move e faz propor essas ideias para vocês. Vem!

Por Quien Merece Amor

Silvio Rodriguez

“Meu amor não é amor de um só

Mi amor es mi prenda encantada

Es mi extensa morada

Es mi espacio sin fin

Mi amor no precisa fronteras

Como la primavera

No prefiere jardín

Mi amor no es amor de mercado

Porque un amor sangrado

No es amor de lucrar

Mi amor es todo cuanto tengo

Si lo niego o lo vendo

¿Para qué respirar?”