A manchete sobre a Venezuela de O Globo de sábado 4/10 é só mais um tijolo na construção do golpe para derrubar Chavez: “Chavez confisca equipamento de TV opositora”. É assim que a mídia internacional, alimentada pelas mega-agências de notícias mundiais, noticiam os fatos da Venezuela. Esta manchete leva qualquer leitor distraído a uma única reação. A desejada por esta mídia: “sim, realmente Hugo Chavez é um ditador que silencia a oposição.Por isso… golpe nele!”

Nas últimas linhas do artigo e O Globo há uma frase que parece inocente, mas na verdade é uma aula sobre as fantasias que são repetidas por aí, sobre a neutralidade, objetividade e imparcialidade da imprensa.Vejamos a aula de O Globo: “O presidente já acusou a Globovion de ter apoiado a tentativa de golpe de Estado contra ele no ano passado”. Está claro? Chaves acusou. É uma acusação dele. Uma simples acusação, faltou explicitar. O Globo esqueceu que o golpe contra Chaves, em abril do ano passado, foi organizado, planejado e patrocinado exatamente pela Globovion e pelos outros meios de comunicação. Este golpe foi conhecido internacionalmente, pela mídia minimamente independente, como um golpe midiático.

O Globo quer fazer esquecer que a Globovision, nas horas seguintes ao golpe, escondeu a manifestação de 4 milhões de pessoas que exigiam a volta de Chaves e a punição dos golpistas. Enquanto milhões de manifestantes de Caracas desciam dos seus morros para as ruas e praças, a bela Globovision, para esconder esta reação popular e garantir o golpe, mostrava desenhos animados e repetia que em Caracas estava tudo tranquilo.

É isso que O Globo quer que se esqueça. E, evidentemente, sonha com a derrubada de Chavez, que pode ser um péssimo exemplo para o Brasil. Já imaginou se a moda pega? Globovision na Venezuela, Globo no Brasil. Muito perigoso. É melhor esconder.

Em Tempo: para acompanhar o papel das agências internacionais de notícias na disputa da hegemonia mundial é muito útil ler o livro “Deus é inocente , a imprensa não”, de Carlos Dornelles. O autor estará participando do 9º Curso anual do NPC e autografando seu livro.

(Claudia Santiago)