A Casa de Cultura da Favela da Maré exibiu no domingo, dia 5, o filme ‘Seja o que Deus quiser”, do cineasta Murilo Salles.  Salles dirigiu também “Nunca fomos tão Felizes” (1984); “Faca de dois Gumes” (1989); “Todos os corações do Mundo” (1995) e  “Como nascem os Anjos” (1996). Em entrevista divulgada pela Casa de Cultura Salles afirma que “muitos podem questionar, ao ver o filme, como o malandro carioca pode ser tão indefeso e sem malícia. PQD é a continuação do personagem Japa, de Como Nascem Os Anjos. Um camarada muito romântico, boa gente, de uma inocência que remete a filmes lançados nos anos 60, como Cinco Vezes Favela e A Grande Cidade. Mas eu acho que isso é totalmente possível hoje. Essa demanda do malandro carioca espertalhão é totalmente clichê e preconceituosa. Faz parte dessa satanização do morro e de seus moradores. É uma visão superficial, por conta da violência no Rio de Janeiro. Achar que na favela só tem marginal é, no mínimo, uma generalização. No morro, as contradições são muito grandes e as tentações, tamanhas. Ou você é de Deus ou é do diabo. Ou você é do bem, ou é bandido. Por outro lado, a classe média hoje pode produzir um malandro muito mais vil do que o do morro, por causa dessa mania inaceitável de querer se dar bem a qualquer preço”. O colaborador do Núcleo Piratininga, Leon Diniz, é um dos animadores da Casa de Cultura da Maré.