[Por Marcelo Salles]
A mídia corporativa tenta fazer parecer que os policiais estão sendo mortos no RJ porque os bandidos estão ficando mais perversos, mas jamais se empenha
em informar sobre os motivos dessa agressividade crescente contra a polícia.
A recente onda de violência contra policiais resulta de uma política de segurança pública adotada por sucessivos governos e apoiada pela imprensa; uma política que por um lado criminaliza quem vive nas favelas e, por outro, tolera a corrupção, inclusive – e principalmente – entre comandantes de batalhão. Como conseqüência, os maiores prejudicados são os policiais honestos e os moradores das periferias. Seria mais prudente, honesto e sensato investir numa política de segurança pública inteligente, que respeitasse o cidadão independentemente de sua conta bancária ou cor da pele.
Outro ponto em que essa mídia não toca diz respeito ao tráfico de armas e drogas. Sempre que um bandido pé-de-chinelo é preso ela joga na manchete e fala em “chefão”, quando os verdadeiros agentes da morte estão sendo recebidos de braços abertos em bancos suíços e outros paraísos fiscais. É o que Jean Ziegler, professor de sociologia da Universidade de Genebra, conta no capítulo 4 do livro “A Suíça lava mais branco” (Editora Brasiliense). Em 1989, uma quadrilha brasileira foi descoberta em Genebra lavando 500 mil francos suíços por semana. A ponte era feita entre o Banesto Banking Corporation, de Nova York, e o Migros, da Suíça. O nome da empresa que fazia a movimentação era Walter Exprinter e, quando descobriram que por trás dela havia generais das forças armadas brasileiras, a Justiça tupiniquim optou por não colaborar com a investigação.
No dia 21 de dezembro do ano passado (há 3 meses apenas), a então governadora Rosinha Garotinho afirmou que a TV Globo mantém uma conta secreta nas Bahamas, no Banco Credité Suisse, com mais de 100 milhões de dólares. Rosinha deu até o número da conta: 91493. E criticou o silêncio das Organizações Globo no escândalo do Banestado, “que envolveu bilhões de reais desviados do Brasil de forma irregular”, disse.
Em Wall Street, cerca de 1/3 de todo o volume negociado vem do tráfico de drogas e armas. A violência que impera nas ruas das grandes cidades atende a uma lógica, ela não é gratuita. E essa lógica está intrinsecamente ligada ao modelo econômico neoliberal, onde “uma meia dúzia pode tudo e a maioria não pode nada”, para usar uma expressão muito praticada nos palanques do ABC há alguns anos. (Em www.fazendomedia.com/diaadia/protoblog.htm)