[Por Claudia Santiago]

Enquanto esperava, não calmamente, por ser atendida pela dentista, fui atraída pela capa de uma das edições da revista Veja que tratava de assuntos referentes à saúde da mulher. Que decepção. O artigo contém um monte de generalidades que não contribuem em nada para com os interessados em encontrar ali informações que ajudem a melhorar sua saúde. Uma enganação. Decidi continuar folheando exemplares da revista quando me deparei com os obituários de dom Ivo Lorscheiter e do o ensaísta francês Jean Baudrillard. Que horror! Que horror! Que horror! Pensar que chamam isso a que nos dedicamos de jornalismo.

O resultado desta prática pude presenciar, dias depois, em uma aula do curso de História que freqüento. Quando a professora sugeriu que a imprensa deva ser incluída entre as fontes do historiador, algumas alunas se rebelaram. “A imprensa. Como acreditar na imprensa?”, questionaram. Repasso a pergunta das jovens aos nossos leitores, juntamente com os obituários, para que cheguem às suas próprias conclusões. Morreram:

* dom Ivo Lorscheiter

(…) O bispo também apoiou a criação de bandos armados que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, deram origem ao MST. Dia 5, aos 79 anos, de falência de múltiplos órgãos, em Santa Maria.

 * o ensaísta francês Jean Baudrillard

de ficção científica. Dia 6, aos 77 anos, de câncer, em Paris. Sociólogo de formação, ele ganhou fama escrevendo textos obscuros, muito populares nos cursos de semiologia. Baudrillard fazia arrepiar de entusiasmo o pessoal da pós-graduação, com seu papo-cabeça sobre a “virtualidade” do mundo contemporâneo . Dizia, por exemplo, que a Guerra do Golfo “não existiu”. A trilogia cinematográfica Matrix faz menção a suas idéias. Talvez ele tenha sido mesmo um bom autor, bispo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Durante o regime militar, à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele denunciou as torturas e os assassinatos de esquerdistas nos porões dos quartéis. Lorscheiter foi um dos principais defensores da Teologia da Libertação, uma excrescência saída da cabeça de padres ideólogos latino-americanos que tentava conciliar cristianismo e marxismo.