Os canais estrangeiros ocupam 75% da programação da TV paga nacional. É para manter esse domínio que a ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) lançou campanha contra projeto de lei que cria cota de 50% para canais pagos brasileiros.
Os dados integram estudo de uma programadora nacional, que pediu para não ser identificada. Não foram considerados canais nacionais as emissoras abertas, os canais obrigatórios, as TVs mistas (como MTV) e os de pay-per-view. Embora tenha 50% de capital nacional (Globo), os Telecines são estrangeiros, assim como HBO. GNT e Multishow, apesar de terem quase 50% de conteúdo internacional, são considerados brasileiros.
O estudo revela que as operadoras que têm participação acionária da Globo, contrariando o discurso do grupo de defesa do conteúdo nacional, dão menos espaço aos canais brasileiros. Na Net, só 21% dos canais são nacionais. Na Sky, esse percentual cai para 17%. A concentração média de canais estrangeiros (75%) tende a aumentar com a aprovação da compra da Vivax pela Net.
Essa concentração ocorre porque a Globo tem poder de veto sobre os canais brasileiros nessas duas operadoras. Assim, novos canais nacionais, como Woohoo (esportes radicais) e Esporte Interativo (futebol), ambos independentes, e Fiz e Ideal, do Grupo Abril, não entram na Net e na Sky.
Daniel Castro (Folha de S. Paulo, 12/12/07)