A acusação ao jornal espanhol El País foi feita pelo membro do Fórum Permanente das Nações Unidas para as Questões Indígenas Bartolomé Clavero e publicada na Agencia Boliviana de Informações (ABI).
Clavero enviou uma carta aberta ao diretor do periódico questionando, por exemplo, a ausência no jornal de reportagens sobre agressões violentas sofridas por indígenas na cidade de Sucre, na Bolívia. Já quando o assunto é atitudes consideradas violentas dos povos indígenas, El País teria realizado com veemência reportagens sobre os referendos acerca dos estatutos autonomistas, nas quais constam fotografias de indígenas queimando as urnas por não concordarem com a realização das votações.
“Há apenas uma semana vocês tiveram a possibilidade de publicar as fotos, pois chegaram a todas as redações, de indígenas torturados publicamente nas ruas de Sucre pelas juventudes dos comitês cívicos e não deram sequer a notícia. Não existe para vocês diferença entre queimar coisas e torturar pessoas? Pelo visto pensam que a primeira atitude é mais grave porque são os indígenas que a cometem”, escreveu Bartolomé Clavero.
Camponeses e indígenas que estavam reunidos no estádio da cidade no dia 24 de maio para evento no qual participaria o presidente da república Evo Morales foram agredidos. Não houve ainda punição dos culpados. Os camponeses da zona rural de Oropeza, próxima a Sucre, realizaram manifestações contra os atos, inclusive, criticando meios de comunicação da cidade, que, segundo eles, incentivam a violência.