Os meios de comunicação alternativos, populares, comunitários, enfim, contra-hegemônicos passam por algumas dificuldades. Costuma-se atribuir ao financiamento toda a carga de culpa, entretanto, outros elementos também precisam ser observados na prática cotidiana dos nossos jornais impressos.
De acordo com o coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação, Vito Giannoti, o financiamento é um problema que precisamos solucionar, mas não é o único e nem o principal.
“Financiamento é essencial, podemos comparar com o combustível do carro, o carro não anda sem combustível, mas não adianta ter o combustível se não temos o motor e nem o banco do carro”, lembra.
Para ele, a grande dificuldade é estarmos em um país que não se lê, por vários motivos. Diante do fato, ele propõe algumas ações referentes à linguagem que utilizamos, às pautas que escolhemos e à apresentação final dos nossos jornais.
“Se nós queremos fazer um jornal que o pessoal corra atrás para lê-lo, primeiro, precisamos ter uma pauta que fale da vida das pessoas, da escola, saúde, família, amor, sexo, drogas, música, além de todos os temas típicos de uma visão de esquerda: a opressão da mulher, a injustiça em todos os níveis, a discriminação racial, a partir de uma perspectiva que aponte para uma sociedade solidária, a caminho do socialismo. Mas não adianta falar desses temas de esquerda se não falarmos da vida das pessoas”, explica.
Quanto à linguagem, Vito afirma que precisa ser o mais clara possível, longe dos vícios de linguagem recorrentes na esquerda. Já a apresentação, deveria ser tão bonita quanto a de qualquer jornal da grande imprensa. “Não é preciso financiamento para melhorar nossa linguagem, para pensar em uma pauta vital, para fazer um jornal bonito, porque há pessoas dispostas, capazes em nosso meio para fazer coisas bonitas”, conclui.
Como anda o jornal do seu bairro, sindicato, partido ou movimento?