Em oito de junho de 1978, acabou a censura prévia imposta pela ditadura militar. “Em oito anos, ela proibiu até a Declaração de Independência dos EUA. Sufocou jornais como Opinião e Movimento. Fez O Estado de S. Paulo esgotar os versos dos Lusíadas, que colocava no lugar das matérias censuradas”, conta a agenda do Núcleo Piratininga de Comunicação na página referente ao dia oito de junho.
A censura da ditadura acabou, como relata o trecho acima. Entretanto, naquela época, jornais como O Globo nem precisavam de censores, eles estavam tão alinhados à ditadura, que se autocensuravam. E hoje? Não vivemos mais na ditadura civil-militar, mas vivemos em uma ditadura de mercado, na qual muitos jornalistas deixam de questionar a realidade em que vivem para se enquadrarem na forma de fazer comunicação das grandes empresas midiáticas. É verdade que alguns tentam agir de maneira diferente, mas, na maioria das vezes, são censurados pelos editores que incorporam os donos dessas empresas.
Em entrevista ao Jornal Fazendo Media, a esposa de um dos cinco cubanos vítimas de prisões políticas arbitrárias nos EUA, Elizabeth Palmeiro, conta que já concedeu entrevistas para jornalistas de vários meios de comunicação estadunidenses, mas as entrevistas nunca foram publicadas. A censura acabou?