Nem todos os meios de comunicação lembraram apenas do atentado às torres gêmeas nos EUA, que foi no dia 11 de setembro. Alguns mencionaram também o aniversário do golpe militar no Chile, em 11 de setembro de 1973, e a morte do até então presidente Salvador Allende. Alguns desses meios foram a TV Brasil, o jornal Brasil de Fato e a Agência Carta Maior. 

Já com o palácio presidencial cercado, o golpe instaurado, prisões e bombardeios, Allende ainda conseguiu se comunicar com o povo chileno de dentro do palácio La Moneda 

“Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.” 

Allende foi morto dentro do palácio. E aí seguiu-se uma das mais sangrentas ditaduras militares na América do Sul. O cineasta chileno Miguel Littín foi um dos que tiveram que sair do Chile por causa da repressão. No livro La aventura de Miguel Littín clandestino en Chile, Gabriel García Marquez conta como o cineasta voltou depois ao país, ainda sob a ditadura de Pinochet, para fazer um documentário sobre a situação do Chile.  

“Dois mortos que nunca morrem: Allende e Neruda” é o título de um dos capítulos do livro. No texto, Littín relata como o povo ainda venerava o presidente Salvador Allende mais de 10 anos depois. 

“Em uma casa onde havia uma imagem da Virgem do Carmo, perguntamos à dona se ela havia sido Allendista, e ela nos respondeu: ‘Não fui, eu sou’. Então, tirou o quadro da Virgem, e atrás estava um retrato de Allende”, conta o cineasta a García Márquez. 

Allende continua na lembrança até hoje. Antes mesmo do dia 11 desse ano, milhares de manifestantes saíram as ruas do Chile para homenagear o presidente socialista. O salão onde morreu Allende foi restaurado e passa a se chamar agora Salvador Allende.