[Por Raquel Junia] Se juntássemos em um vídeo todas as caras e bocas feitas por âncoras de telejornais e apresentadores de TV quando o assunto é o presidente venezuelano Hugo Chávez, teríamos um bom programa de humor. A cena se repetiu no domingo, dia 15, já no finalzinho do Fantástico, da Rede Globo 

Quando a Corte Nacional Eleitoral da Venezuela divulgou oficialmente a vitória do SIM à emenda constitucional que prevê reeleição indefinida para cargos públicos no país, por volta de 22h,  Chávez logo apareceu no lugar conhecido como “balcón del pueblo” onde a multidão se concentrava para aguardar o resultado. O presidente emocionado saudou o povo cantando. 

 É claro que essa cena não foi vista no Fantástico, mas na Telesul, sintonizada via internet, já que infelizmente não recebemos o sinal por aqui. O computador estava em frente à televisão e foi possível comparar as duas coberturas. Enquanto a multidão empunhava bandeiras, inclusive a de Cuba, e ouvia Chávez falar que o povo era o seu chefe e que  havia muito mais por fazer na Venezuela, a Rede Globo mostrava uma reportagem fria, feita antes do resultado final, mostrando eleitores na fila para a votação. Uma senhora é entrevistada e diz que está cansada de tanta votação. Nenhuma entrevista a partidários do SIM é mostrada. Lembre-se que a Rede Globo se propõe imparcial. 

Ao final da reportagem, o rapaz e a moça bem vestidos do Fantástico contribuem para o vídeo pitoresco sobre as caras e bocas de condena a Hugo Chávez. A condenação da mídia empresarial/comercial nesse caso não é só a Chávez, mas como se viu na Telesul, a  um grande número de pessoas que aprova o governo bolivariano, aposta no socialismo do século XXI e está aprendendo a ser soberano. Mesmo a custa de muitas votações.