“O trabalho é importante na identidade e dignidade da pessoa humana e na harmonia do conjunto social”. É assim que Frei José Alamiro Andrade Silva, do Santuário do Valongo de Santos (SP), fala da manifestação que organizou: o Dia dos Sem Trabalho. O ato público em solidariedade a milhões de brasileiros e brasileiras que foram excluídos do mundo do trabalho, aconteceu um dia após 1º de Maio, o Dia Internacional do Trabalhador, em Santos (litoral do Estado de São Paulo). Com voz pausada, marcando bem as palavras, Frei Alamiro explica a razão do ato: “Queremos estimular a sociedade a se organizar e cobrar ações efetivas das autoridades contra esse flagelo que atinge milhões de pessoas em nosso País”. Frei Alamiro revela que as pessoas que não conseguem emprego e vão para as ruas perdem a auto-estima e se desestruturam completamente. “Trabalhamos na nossa Igreja com essas pessoas. É muito difícil recuperar o sentido da vida e a esperança para quem está nas ruas. E a sociedade não pode ficar indiferente a esse grave problema social”.

Acordar o povo

Já Irmã Maria Dolores Muniz Junqueira, que recebeu o prêmio Santo Dias de Direitos Humanos 2000 da Assembléia Legislativa de São Paulo e que desenvolve trabalho social numa das regiões mais pobres de São Vicente (SP), o Quarentenário, considera fundamental “acordar o povo” para que perceba que são necessárias mudanças urgentes no Brasil. A religiosa, de 73 anos de idade, critica o governo Fernando Henrique Cardoso, para quem os seres humanos não valem nada. “O presidente está de mãos dadas com o FMI. Para ele o povo não interessa e a morte de pessoas é apenas um risco calculado”. Irmã Dolores, que nasceu na Espanha, diz se angustiar com a acomodação do povo brasileiro com a própria situação. Para a religiosa, o povo precisa exigir os seus direitos e não ficar esperando que as autoridades tomem providências. (Rosângela Gil – Santos).