O governo Eduardo Duhalde montou uma verdadeira operação de guerra. Infantaria, polícias, cães, canhões de água, bombas de gás lacrimogênio (e outras armas), carros de assaltos tomaram as ruas de Buenos Aires e arredores. Até helicópteros foram usados para apoiar a repressão aos argentinos.
No dia 26 de junho, milhares de argentinos mostraram mais uma vez revolta à destruição causada por 10 anos de neoliberalismo, 10 anos de uma política voltada para as ordens do FMI (Fundo Monetário Internacional) e aos especuladores transnacionais. Eles foram às ruas exigir a criação de postos de trabalho e uma política de emergência que ampare as vítimas dessa política.
O capital, que destrói a vida e o sonho das pessoas, não tolera ser contestado. Dario Santillan e Maximiliano Costequi, que participavam das manifestações, foram assassinados pela força de guerra montada pelo governo argentino. Outras dezenas de homens e mulheres foram feridas.
A Argentina, que já foi um dos países mais ricos do mundo, na década de 40, hoje tem quase 60% da população no nível de pobreza e mais de 25% estão desempregados.
O capital, que explorou até a última gota de sangue as esperanças e os sonhos dos argentinos, hoje, além de apontar as armas para esse mesmo povo, continua livre e solto pelo mundo. Outras vidas e outros sonhos estão sendo destruídos. A lógica do capital é enriquecer com as lágrimas e a dor alheias.
(Rosângela Gil – metalúrgicos de Santos)