Já tínhamos passado por outras greves, destacando as de 2000 e 2001, com os outros servidores federais. Mas esta de 2002 foi diferente. O objetivo bem específico: a revisão do Plano de Cargos e Salários, com a aprovação do PL 5.314/01, que estava na Câmara dos Deputados desde dezembro. No Rio Grande do Sul, nosso sindicato conseguiu unificar as justiças Federal e do Trabalho, que atuaram conjuntamente nos 49 dias de luta. Os colegas da Eleitoral fizeram paralisações e participaram conosco em vários atos.

Sabemos que uma greve exige uma comunicação ágil, pois os acontecimentos são muito dinâmicos. Ainda mais se não envolve somente um ramo do Judiciário Federal. Sendo assim, elaboramos um informativo diário, reproduzido na copiadora do sindicato, que era distribuído em Porto Alegre e enviado por fax para o interior. O boletim semanal T-Liga (colorido) foi suspenso a partir da segunda semana, para evitar a distribuição de notícias ultrapassadas. O site na Internet precisava ser atualizado até três vezes por dia, com as Ultimas Notícias, que eram enviadas também por e-mail para os setores de trabalho e para outros sindicatos e entidades de todo o país.

O encaminhamento de planos de salários para o Judiciário difere-se dos do Executivo, pois é feito somente através de lei, não sendo permitida a edição de medida provisória. No entanto, a negociação com o Executivo foi condição para a aprovação do projeto, o que criou uma expectativa diária da vinda de alguma proposta satisfatória. As assembléias gerais estaduais ocorriam quase sempre semanalmente e o resultado de cada reunião com representantes do governo era transmitido a toda a categoria assim que chegava do Comando Nacional de Greve. Isso acabava mantendo a mobilização, pois o resultado da nossa pressão aparecia diariamente para os servidores do Judiciário. A consciência coletiva visualizava a importância que um movimento paredista tem para as negociações.

Além do envio de notícias, tivemos o retorno de várias pessoas da categoria, através de e-mails e telefonemas. Um facilitador foi o endereço eletrônico Ouvidoria, que nos dava uma idéia do pensamento de alguns grevistas e de quem estava fora da greve.

Outra ação de extrema importância foi a cobertura da imprensa local. Visitamos as empresas jornalísticas e emissoras de rádio e televisão para esclarecer como estava se desenrolando a greve, os motivos e a importância do movimento para a sociedade. Deu resultado. Apesar da resistência da mídia a assuntos relativos aos trabalhadores, conseguimos uma divulgação maior que as das greves anteriores.

Essa avaliação positiva da nossa comunicação não significa que os problemas estiveram ausentes. Mesmo assim, seguimos construindo a cada dia o sindicato e a sociedade que queremos. Acreditamos que o amplo acesso à informação é o primeiro passo.

 Giovana Guimarães – Diretora de Comunicação do Sintrajufe/RS)