[Por Douglas Baptista, Gizele Martins e Renata Souza] Caminhada pacífica pela Avenida Brasil acabou em tumulto e truculência de policiais no Complexo da Maré 

Cerca de 300 pessoas acompanharam o sepultamento de Felipe Correia de Lima, de 17 anos, no Cemitério do Caju, na tarde de ontem (15). Segundo moradores, o jovem foi executado por policiais na terça-feira (13) com um tiro de fuzil na cabeça em frente à sua casa na favela Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré. Houve revolta durante o enterro. Familiares e amigos da vítima gritavam por justiça e protestavam contra a política de segurança pública que vitima jovens inocentes moradores de comunidades pobres do Rio de Janeiro. 

Para Mayck Félix, amigo de Felipe, o que a polícia fez foi uma injustiça. “Eu conhecia ele, estudava em Bonsucesso, lá no Pedro Lessa, tinha acabado de pedir transferência para Escola Estadual Bahia. Lembro que domingo ele estava muito feliz, falava que tinha voltado para a namorada, que tinha arrumado um novo emprego. E aconteceu isso… Foi a maior tristeza para nós, era um moleque tranqüilo. Isso que fizeram com ele foi a maior covardia”, fala.  

O presidente da Associação de Moradores da Baixa do Sapateiro, Charles Gonçalves, quis deixar claro que Felipe era apenas um estudante. “Imagina a dor dessa mãe com a perda de seu filho. O menino teve sua carreira parada, era um adolescente cheio de sonhos, estudava, trabalhava, mas teve a vida interrompida. Ele foi brutalmente executado por uma polícia despreparada. Agora é tentar fazer o possível para solucionar esses problemas. Temos que ver meios para que isso chegue até o governador, para ver se dá um basta para não haver mais inocentes mortos como Felipe”, diz Charles.  

Depois do enterro, um grupo de moradores – na sua maioria jovens – organizou, em protesto, uma caminhada pacífica na Avenida Brasil, até o Complexo da Maré. A manifestação não terminou nada bem. Já na entrada da Rua 17 de Fevereiro -local em que Felipe foi executado e onde se findaria a caminhada – policiais exaltados começaram a gritar para que todos corressem. O grupo foi dispersado com o uso da violência. Ignorando a presença de muitas crianças de menos de 14 anos, a polícia usou bombas e spray de pimenta.  

São inúmeras pessoas que morrem todos os dias nas favelas do Rio de Janeiro por causa da injusta segurança pública que existe. Algo que não dá mais para suportar. Moradores durante o sepultamento e a caminhada gritavam, clamavam por justiça, direitos humanos, direitos que deveriam ser oferecidos a todos, sem separação de cor, raça e classe social. Até quando este povo terá que enterrar seus parentes, pessoas inocentes, que querem e queriam apenas ter o seu direito de viver.