A Folha de S.Paulo tentou, recentemente, relativizar a importância da Ditadura Militar. Ao dizer que no Brasil houve uma “Ditabranda”, o jornal reacendeu a antiga questão sobre o papel da mídia na derrubada do Governo Constitucional de João Goulart, e a sua colaboração na destruição do processo democrático. O apoio ao golpe civil-militar de 1964 defendeu o regime de terrorismo de Estado, e alguns órgãos de comunicação passaram a ser coniventes com as torturas e os assassinatos.
Para tratar dos interesses da mídia comercial, e a sua relação com a sociedade civil, o Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência convidam para um debate com o tema O papel da mídia na democracia e durante a Ditadura Militar. Será neste sábado, dia 18 de abril, a partir das 14h, no Memorial da Resistência (Largo General Osório, 66, Luz).
Os debatedores serão Alípio Freire, jornalista e ex-preso político; Rodrigo Vianna, jornalista que rompeu publicamente com a Rede Globo por discordar da cobertura tendenciosa das últimas eleições presidenciais; e Beatriz Kushnir, historiadora e autora do livro Os Cães de Guarda. O foco central da obra é o papel do Grupo Folha durante a ditadura e sua colaboração com a repressão política, principalmente com o DOI/CODI-SP.
Na ocasião, haverá o re-lançamento de dois livros: No corpo e na alma (autobiográfico), da ex-presa política catarinense Derlei De Lucca; e Os Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir.