[Por Claudia Santiago] O que vocês têm a dizer sobre a questão do diploma?, pergunta a jornalista Ligia Coelho. “De minha parte, lamentei muito. Acho que foi um retrocesso, após 40 anos de regulamentação da profissão. Num país como o Brasil, onde já não se respeitam os direitos trabalhistas (principalmente na nossa área, que está cheia de bicão), agora mesmo é que, sem regulamentação, vamos ficar à mercê dos interesses dos Marinho e cia. Vai ficar assim de “Adrianes Galiesteu” e “Anas marias bregas” ostentando diproma de jornalista.”
A também jornalista Marisane Pereira , de Porto Alegre, nos escreveu. “Diante do ataque que tivemos contra nossa profissão esperava que o NPC se posicionasse de alguma forma. Parece que todos os veículos de comunicação estão satisfeitos com o fim da exigência de curso superior para o exercício da profissão de jornalista, inclusive os da esquerda. Nem uma linha sequer publicada… Estou desapontada”.
Outro que nos procurou foi estudante do segundo período do curso de comunicação Douglas, Douglas Baptista. “O que eu faço? Continuo?”. E o que falar para as ex-estagiárias e atuais jornalista do NPC, Raquel Junia e Sheila Raquel, que no sábado, dia 27, participarão da sua cerimônia de formatura? A elas, o professor Hamilton de Souza, da PUC-São Paulo, defensor do diploma, enviou a seguinte mensagem: “Parabéns pela formatura. O que importa é o compromisso e a luta – e as boas relações de amizades”. Diversas outras mensagens de jornalistas e estudantes de comunicação nos chegaram desde que o STF decretou o fim da exigência do diploma para o exercício da profissão.
O que dizer a nossos leitores?
Jornalistas não são apenas produtores de conteúdo. São profissionais regidos por um código de ética que juram respeitar o público, combater todas as formas de preconceito e discriminação, valorizar os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade. Jornalistas são, ou deveriam ser, aqueles que querem uma comunicação debatida e organizada com a participação do povo. Uma comunicação verdadeiramente democrática. O fim do diploma não interessa aos jornalistas, e nem ao povo. A quem interessa, então? Aos intelectuais, não é. Estes já ocupam espaços privilegiados na imprensa. Continuarão com seus espaços pois não poderão ocupar aqueles que exigem técnicas específicas da profissão. Quem se beneficia, então, com o fim da exigência do diploma? Vamos conversar sobre isso? O debate está lançado no blog do NPC: http://blog.piratininga.org.br/.
A Raquel e Sheila, temos a dizer que escolheram uma linda profissão. Lutem por ela, orgulhem-se de seus diplomas e, mais do que tudo, defendam intransigentemente o direito à comunicação. Afinal, foi para isso que vocês estudaram tanto, não foi?