Os jornalistas José Arbex e Hamilton Octavio de Souza, ambos da PUC-SP e da revista Caros Amigos, participaram das primeiras aulas do Curso de Comunicação Comunitária promovido no Rio de Janeiro pelo NPC, com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo. No sábado, dia 13 de junho, Arbex falou sobre a tentativa da Folha de São Paulo de reescrever a história do país, por meio do uso de termos como “ditabranda” e a publicação de artigos e fatos tendenciosos sobre o período da Ditadura Militar. 

Para ele, a mídia vem agindo como vanguarda dos partidos da burguesia desde 2002, quando a mídia de direita venezuela divulgou a mentira de que Chávez havia renunciado, influenciando os generais. A dica aos alunos do curso foi investir na comunicação de esquerda, para fazer frente a essa mídia hegemônica. 

Seguindo essa linha, o jornalista Hamilton Octavio de Souza, no último sábado, dia 20, disse que é preciso construir a nossa comunicação para arrumar o mundo. “A chamada grande mídia cria consensos, naturaliza certas idéias, valores e conceitos. Achamos que essas ideias são nossas. Temos que combater isso”, disse. Ele deu como exemplo a capa do jornal Metrô, de São Paulo, que divulgou recentemente, sobre a greve na USP, que estudantes, funcionários e professores entram em conflito com a PM. “Ou seja. Eles tomaram um lado: o dos policiais”. 

Para ele, é preciso, primeiramente, fazer uma crítica à mídia empresarial. Depois escolher as pautas e os temas que serão abordados, pensando no enfoque – ou seja, a visão da classe trabalhadora. Por fim, prestar atenção à linguagem. Segundo Hamilton, é necessário investir nesses meios para construir idéias de valorização da organização coletiva, formação de grupos e valorização dos bens públicos – ao contrário da mídia comercial, que incentiva o individualismo e a privatização. O jornalista lembrou o comunista italiano Antonio Gramsci, que entendia a importância do jornal como elemento organizador.  

O Curso Comunidades vai até o dia 12 de setembro. Dele participam moradores de comunidades e militantes dos movimentos sociais; jornalistas moradores de favelas; e jornalistas e estudantes de comunicação ligados à comunicação popular. Neste sábado, 27 de junho, os alunos conferem um debate sobre a crise com João Pedro Stedile, do MST, e Sandra Quintela, do PACS. Depois vão para a Maré, onde haverá uma aula sobre o funk como forma de resistência, e também as comemorações dos 10 anos do jornal O Cidadão.   Confira a programação completa do Curso.