[Por Maurício Campos] Não vi a reportagem completa no Globo impresso, talvez esteja melhor. Agora, colocar a Andréia como uma “universitária” é omitir o essencial. Ela (como a grande maioria dos moradores de ocupações) é uma trabalhadora, rala para sobreviver, e não mora na Chiquinha por puro idealismo, mas por necessidade. Assim, a reportagem omite o principal – o processo de empobrecimento do povo, que leva inclusive trabalhadores que com muito esforço chegam à universidade a engrossarem as fileiras dos sem-teto – para destacar o secundário – o apoio (muito importante, é claro) de universitários e (em muito menor escala) da própria universidade ao movimento sem-teto. 

E, pelo menos nesse resumo da Internet, também não faz a importante diferenciação: há aqueles universitários e profissionais (engenheiros, advogados, etc) que se engajam na luta dos sem-teto de forma voluntária e militante, e aqueles estudantes e profissionais que só o fazem se for em troca de projetos remunerados e acréscimos aos currículos. Sem falar nas conhecidas ONGs sanguessugas (cujos burocratas dirigentes muitas vezes são da academia) que vivem da desgraça e da luta do povo…

[A matéria intitulada Movimento Sem-Teto tem ajuda de universitários foi publicada em 18/07/2009, às 9h42m]