O jornal O Globo, em 15 de junho de 2006, publicou a matéria “Aeroporto terá operação para controlar menores”. Sobre ela, a editora do BoletimNPC, Claudia Santiago, escreveu:

“Sou usuária do Aeroporto Internacional do Galeão há muitos anos. Nos últimos meses tenho usado serviço de engraxate prestado por jovens no saguão do terminal 1. Sempre converso com eles, pergunto onde moram, se estudam, o que fazem seus pais, quanto ganham e coisa e tal. Portanto tenho a obrigação moral de afirmar que nunca fui importunada e, muito menos, roubada ou assaltada por um deles como a matéria sugere. Pelo contrário, me tratam com a mesma consideração com que me tratam os lojista de qualquer loja legalmente estabelecida.

No último dia 5, já sabendo da operação que a senhora anuncia, aproveitei para conversar também com os comerciários do referido saguão sobre o comportamento dos meninos. Ouvi de todos a mesma coisa. Eles não fazem nada de errado.

Como meu vôo sairia em seguida, só pude anotar o nome do jovem que me atendia num pedaço de papel. Ele não sabia ler. Pediu para um funcionário de uma loja ler o meu nome para ele. E ele não tinha um telefone para que eu voltasse a entrar em contato com ele. Enfim, entreguei ao menino o meu cartão e disse que ele poderia me ligar se precisasse. Pedi ao funcionário do estabelecimento que o ajudasse a fazer a ligação. Pode ser que meu celular toque com um chamado dele ainda hoje.

Gostaria de ponderar que o subtitulo da matéria induz o leitor a pensar que esses jovens trabalhadores precários são ladrões. Como isso não está provado, O Globo deveria pedir desculpas a eles e a nós, leitores.

Para encerrar, sugiro ao jornal uma nova pauta. O que farão esses meninos ao serem retirados de lá? Como irão garantir os R$ 60,00 semanais que um deles me disse que ganhava? Aproveitem para nos dizer como vivem as famílias dessas crianças. Dou uma dica. Pelo que aprendi, a maioria mora na favela da Maré, ali ao lado. Uma matéria dessas só serve para reforçar todos os preconceitos e comportamentos arraigados nesta nossa sociedade campeã mundial de injustiça social. 

Atenciosamente,

Claudia Santiago”