As reuniões da 33ª Conferência Geral da Unesco terminaram com um “sim” para o tratado que defende a diversidade cultural. Foram 151 votos a favor e dois contra – dos Estados Unidos e de Israel. Líderes do projeto, França e Canadá querem assegurar, no papel, o direito de um governo promover e proteger os bens culturais da competição internacional. No caso, a hegemonia americana. Com o aval da Unesco, um país pode, por exemplo, cobrar taxas sobre filmes estrangeiros sem ser acusado de violar regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas, na opinião de alguns especialistas, para que o texto tivesse força, seria importante o consenso. E isso os EUA bloquearam – não sem mal-estar.
O entretenimento é o segundo produto de exportação mais importante para os EUA. Perde apenas para a indústria bélica. E o principal temor dos EUA é o de que a Convenção abra brechas para a criação de barreiras à produção hollywoodiana. Os americanos temem a Convenção e quem lutou por ela teme a fragilidade do documento. Apesar dos discursos animados, os defensores do tratado não estão certos de que terão força para colocar seus princípios em prática. Mas, pelo menos, passa a existir um novo parâmetro para medir as regras que regem a cultura.
(Carta Capital Nº 365)