[Por Leandro Uchoas/ Brasil de Fato] A categoria dos operadores de telemarketing está em ampla expansão, passando de 14% a 17% ao ano. Esse setor vem reproduzindo, em novos moldes, as relações de trabalho precarizadas do passado. Surgida na carona dos avanços tecnológicos – que supostamente serviriam para melhorar a vida das pessoas –, a profissão revela indícios diversos de exploração. As pesquisas relacionadas ao setor de revelam dados inquietantes: entre os operadores, há uma predominância massiva de jovens e de mulheres. Além disso, o índice de negros, obesos, homossexuais, transexuais e deficientes físicos é acima da média em outras categorias. Para os estudiosos, o motivo principal do predomínio de setores sociais marginalizados seria a invisibilidade permitida aos operadores.

Há alguns meses, foi lançado o livro Infoproletários – Degradação real do trabalho virtual. A principal constatação dos estudos é a de que o operador de telemarketing é uma espécie de novo proletário. Com o aumento do uso da tecnologia de informação e da permanência de relações de exploração, ele é um trabalhador contraditório: é moderno, mas convive com as condições de trabalho precárias do passado. A socióloga Selma Venco, da Unicamp e autora de um dos capítulos de Infoproletários, encontra na precarização da profissão elementos do taylorismo. “São diversas características próprias do mundo industrial. Há a separação entre quem trabalha e quem planeja, a obediência a um tempo médio, o controle massivo da produtividade através da própria tecnologia. Mas há elementos novos, como a capacidade de pressão do cliente. Já não é mais só a máquina e o chefe”, diz.

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