[Por Marina Schneider – NPC] Estampada na capa da edição de 14/08/10 da revista Época, da Editora Globo, a jovem militante Dilma Housseff “ameaça” o país. É isso que leva a crer a chamada “O passado de Dilma – Documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar”.
Para a editora do BoletimNPC, Claudia Santiago, “a mídia, além de outros acintes à inteligência do leitor, como a cobertura totalmente pró-Serra do jornal carioca O Globo, ainda apela para a tática do medo, já usada em eleições passadas. A foto de Dilma Guerrilheira tem a função de bicho papão”.
Sobre isso, opina o jornalista, editor da revista Caros Amigos e professor da PUC-SP: “A capa da Época é a capa da Época, uma revista burguesa como tantas outras.
Faz o papel dela, que é alimentar o sentimento mais reacionário da classe média. Depois a família Marinho negocia com Lula-Dilma mais algumas concessões de rádio e TV e fica tudo resolvido. A redação da Época, assim como os donos da revista, sabem muito bem que a Dilma ganha no primeiro turno e nada mais vai reverter essa situação. Então, por que, fariam uma capa no nível da Veja? Só pode ser mesmo para disputar o conservadorismo com as concorrentes, fazer demonstração de poder e tentar arrancar algumas vantagens particulares. Chantagem e extorsão são práticas rotineiras na grande imprensa corporativa e neoliberal”.
A jornalista, coordenadora da TV PUC-Rio, Carmem Petit, lembra que a Época fez o mesmo que a Veja em outras ocasiões. “Basta lembrar da capa sobre os radicais do PT. O problema é fazer e omitir que tem preferência. Fingir imparcialidade é inapropriado e fora de contexto. Não há vergonha em defender posições, é até o mais correto com o leitor”, afirma.