09h45m – Dois jovens são presos no Cerro-Corá, no Cosme Velho
09h44m – PMs trocam tiros com traficantes em Vila Isabel
09h18m – PM prende três ladrões de carros em Teresópolis
09h15m – Traficantes são presos em Barra Mansa
07h34m – Vigia é encontrado morto em Benfica
07h10m – Motorista é assaltada em sinal em frente ao Jóquei na Gávea
06h16m – Dono de padaria é assaltado e levado por bandidos com refém em Olaria
05h03m – PMs prendem estudantes arrombadores de carro no Fonseca em Niterói
04h34m – Assaltante é preso por agentes do serviço reservado do Batalhão de Olaria no Jardim América
03h59m – Dois mortos em troca de tiros com a polícia na Cidade de Deus
Estas são as manchetes no Globo on line de um dia qualquer, em torno do 23 de setembro deste ano, em plena campanha do plebiscito do Sim e do Não. O clima de obsessão do medo é gritante. Quem lê estes chamados é levado a uma única reação: vou me proteger… Vou me armar. Pouco importam os argumentos racionais em contrário. O que determina o comportamento das pessoas, quase como um reflexo condicionado, é o clima geral de paranóia mantido e ampliado por rádios, TVs, jornais e revistas.
Neste clima de paranóia do medo, sem nunca apontar as causas reais da violência, pouco importa para qual das duas opções os Marinhos tenham feito campanha. Isto é insignificante. É uma gota d’água num oceano de anos e anos de neurotização da população.
É só assistir ou ouvir os programas matinais, entre 7 e 9 horas, nos vários canais e teremos a confirmação.
De trinta minutos de noticiário, várias vezes, mais de 60 ou 70% são notícias apavorantes de violência. A maioria é idiotice que não mereceria nem um segundo de atenção. Mas o que se vê é o contrário. Rios de palavras para apavorar o telespectador ou ouvinte que teoricamente não deveria ficar neurótico.
Baseado na constante campanha do medo, há a possibilidade real de, num futuro próximo, ganhar qualquer proposta sobre a remoção de favelas, implantação da pena de morte, o rebaixamento da idade penal para 10 anos ou, por quê não, a proibição de pessoas de cor não exatamente branca circular nas ruas após as 20 horas. O caminho é curto. Fiquemos atentos!
(Por Claudia Santiago)