[Por Cristiane Costa/Jornal dos Trabalhadores] Um rastreamento, realizado pela Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) de São Paulo, detectou o fechamento de 125 rádios no estado realizado pela polícia Civil. Segundo a entidade, somente em quatro operações havia mandado judicial. Na maioria delas, os representantes da polícia alegavam interferências sem, contudo, apresentar laudo pericial que comprovasse as denúncias ofertadas pelos agentes de repressão. Os dados coincidem com o início das operações de duas empresas especializadas no rastreamento de emissoras, cujos clientes são as grandes emissoras comerciais filiadas a ABRA e ABERT. Essas empresas, que prestam serviços às emissoras comerciais, utilizam páginas especializadas em rádios. Em uma conversa de dirigentes da ABRAÇO – SP com esta empresa, foi detectado que existem dois tipos de serviço: o primeiro é o rastreamento de emissoras e a entrega da documentação às autoridades competentes (no caso a ANATEL). Já o segundo serviço, de um valor muito maior, para o rastreamento e fechamento imediato com a ajuda de policiais civis. Segundo a ABRAÇO, foram pesquisadas 93 matérias sobre o fechamento destas emissoras, e a maioria absoluta delas mostrou apenas o lado dos opressores. Também foi verificado que todas as matérias publicadas estão inseridas nos cadernos policiais dos jornais.